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Lado Chato da Internet
Apesar de atualmente a Internet ser um verdadeiro show de cores, imagens e animações, ela tem um outro lado que os usuários comuns geralmente desconhecem: o tal "lado chato". Esta outra face da moeda é um mundo de códigos, testes infindáveis e limitações técnicas, no mínimo, desafiadoras. E para entendermos melhor estas limitações, precisamos lembrar que a Internet conecta computadores através do Mundo, e que cada um deles possui uma configuração específica que certamente vai determinar a maneira como seu usuário enxergará os diversos Web sites que visitar. Assim o programador, o designer ou o Web master responsável pela criação do site, deverá estar atento a esta questão peculiar e fundamental da Internet. As "chatices" da grande Rede são:
Os monitores — pelo menos no Brasil, a maior base instalada de monitores é de 14 e 15 polegadas, com resolução de 640x480 pixels, e embora muitos já utilizem resoluções de 800x600 pixels, o primeiro valor ainda é considerado padrão. Portanto, o mais indicado é que se construa sites que se adaptem bem àquela resolução (640x480 pixels) ou muitos usuários serão prejudicados. A não ser que se saiba que do público alvo use uma resolução maior específica.
As cores — se no sistema de impressão off-set já é difícil atingir a total fidelidade de cores, na Internet isto é ainda mais difícil. A começar pelo fato de que a maioria dos monitores não é calibrada, o que pode causar distorções de cor terríveis, e pior: o Web designer não tem como saber exatamente como elas serão exibidas em cada monitor. Outro problema é a quantidade de cores que pode ser exibida por cada computador, a maioria ainda é 256 cores (8-bit color), mas o formato de 16 milhões (24-bit) vem se popularizando cada vez mais. De qualquer maneira, o ideal é tentar manter-se no limite das 216 cores da paleta padrão do Netscape — 216, porque 40 cores da paleta de 256 não são compartilhadas entre os sistemas operacionais de Macs e PCs. A vantagem de se utilizar esta paleta padrão é que, além de uma fidelidade de cores maior, em computadores que utilizem o sistema de 8 bits as cores não iriam pontilhar, efeito que provavelmente ocorreria caso a imagem utilizasse uma paleta de mais de 8 bits ou uma que não fosse padronizada. Some-se a isto o fato de que quanto menos cores na imagem, menos bytes serão necessários para armazená-la em disco, o que proporciona um download mais rápido do arquivo.
A Velocidade — este é um dos pontos chave da Internet, pois assim como a informática, ela evolui em progressão geométrica, crescendo e se modificando a cada dia. E isso se reflete em tudo relacionado a ela: os usuários são dinâmicos, os sites devem ser dinâmicos, a tecnologia evolui rapidamente; tudo é veloz. Então, não poderia ser diferente com os tempos de download das páginas, ou seja, as páginas do site devem carregar o mais rápido possível; primeiro porque pessoas dinâmicas não gostam de esperar, e segundo porque elas estão pagando impulsos telefônicos e horas de acesso, além de ocuparem a linha de seus telefones, ou então, estarem no trabalho, ou até trabalhando, e não terem tempo a perder. Então deve-se ter em mente que é preciso produzir sites que carreguem rápido, mesmo em condições ruins de conexão; eis alguns valores que podem ser tomados como base: o computador do cliente levará cerca de 1 minuto para exibir completamente uma página de 30 Kb numa conexão com velocidade de 14,4 Kbps (quilo bits por segundo), 60 Kb numa de 28,8 Kbps, e 120 Kb numa de 36,6 Kbps. No Brasil, mesmo com a grande base instalada de modems de 28,8 e 36,6 Kbps, e com a invasão dos modems de 56 Kbps, a velocidade de 14,4 Kbps ainda pode ser considerada como padrão, devido a precariedade de nossas linhas telefônicas e do atraso tecnológico de nosso backbone. Para que se consiga obter tempos de acesso bem curtos, é preciso diminuir ao máximo o tamanho dos arquivos que compõem a página. Uma das coisas a serem feitas é produzir arquivos HTML bem enxutos, sem comandos redundantes ou inúteis como acontece com muitas páginas feitas em editores HTML visuais, no fim, isto irá garantir a economia de alguns preciosos Kbytes; outra coisa a ser feita, é não usar imagens muito grandes, com a menor quantidade de cores possível, em baixa resolução, se possível cortadas em vários arquivos menores, e gravadas no formato de arquivo (JPEG ou GIF) em que ocupem menos espaço em disco.
A Resolução — esta é a parte simples da confecção de páginas para a Internet: os monitores geralmente só exibem imagens a uma resolução de 72 dpi (dots per inch, pontos por polegada), portanto não fará diferença se a imagem tem 72 ou 300 dpi, e sim o espaço que ela vai ocupar na tela, e no disco (tamanho do arquivo em bytes). E como o tamanho do arquivo é importantíssimo na elaboração das páginas, o designer pode optar por resoluções menores que os 72 dpi, assim como por profundidades de cor menores que 8 bits, se ele concluir que isso não prejudicará o resultado final do trabalho. Caso prejudique, muitas vezes ele é obrigado a diminuir o tamanho que a imagem ocupará na página ao invés da resolução ou da quantidade de cores.
O Background — como o nome já diz, são imagens ou textos (gravados como imagens) que podem ser colocados no fundo da Web page e que, como qualquer outra imagem, deve ter o menor tamanho possível em bytes; por essa razão, devem ter pequenas dimensões. Como serão repetidas pelo browser quantas vezes forem necessárias para preencher por completo o fundo da tela, estas imagens formarão um padrão, e aí está mais um desafio para o designer, fazer com que o background não fique feio ou monótono e não atrapalhe a leitura.
As Fontes — pelo mesmo motivo (o fato de que as páginas serão vistas em computadores com configurações diferentes) que os Web designers devem se preocupar em utilizar a paleta de cores padrão do Netscape (principalmente para cores chapadas), ele não poderá utilizar fontes muito variadas, a não ser que estejam gravadas como imagens. As únicas fontes em que se pode ter alguma certeza de que o "internauta" possuirá os arquivos correspondentes para poder visualizá-las são, segundo a nomenclatura utilizada nos PCs: Times New Roman, Arial e Courier New. Dada a importância das famílias tipográficas, no que diz respeito ao leiaute e ao caráter estético da página, nem é preciso dizer o quanto é pertinente esta questão para o Web designer.
O Layout — o layout nas páginas Web também impõe muitas dificuldades, pois não se tem a mesma facilidade de se mover uma figura "2 milímetros para baixo e 3 para a direita", como se faz nos programas de desktop, bastando para isso clicar e arrastá-la. Além disso, de acordo com a resolução do monitor, a diagramação pode mudar completamente, pois em HTML o texto se ajusta ao espaço disponível na janela do browser, que aumenta proporcionalmente à resolução. Mas existem recursos para driblar essa mutabilidade do leiaute das páginas Web, o designer pode se valer de frames, tabelas, imagens e, mais recentemente, das layers da Dynamic HTML ou DHTML, para as quais podemos determinar coordenadas x e y, para conseguir posicionamentos mais exatos e menos instáveis. Mesmo assim, por razões que desconhecemos, parece que os pixels do Netscape têm tamanho diferente dos pixels do Internet Explorer (?!), por isso imagens em frames às vezes aparecem cortadas em alguns browsers, ou textos dentro de tabelas têm as quebras de linha em determinados lugares num browser, e em outros lugares, em outros browsers. Além disso, ainda existem muitos browsers não compatíveis com DHTML sendo utilizados, e incompatibilidades entre a DHTML do Netscape e a do Explorer.
Browsers Diferentes — browsers são os programas utilizados para a visualização das páginas da Internet, e são fabricados por várias empresas diferentes, sendo os mais famosos, o Netscape e o Internet Explorer. O problema é que a linguagem HTML não é totalmente padronizada, e os comandos que um browser lê, muitas vezes o outro não lê, além dos problemas já mencionados acima. Portanto é importante ficar atento para qual tipo de browser se estará produzindo o site, para que não ocorram decepções no futuro. Podemos observar que ao contrário do que acontece na mídia impressa, em que sempre é melhor que a qualidade da imagem seja a maior possível, na Internet não é bem assim. Pois a qualidade e a quantidade de imagens refletem diretamente no tempo de acesso a uma Web page. E por falar em tempo, como será que ele influi na comunicação entre o usuário e o site? Quanto tempo ele se dispõe a esperar o carregamento de uma página? Quanto tempo ele pode demorar para entender uma mensagem (na forma de texto ou imagem) que lhe seja enviada através do site? E por quanto tempo ele se permitirá ler o conteúdo de uma página Web? E como é que aspectos como a baixa resolução e as pequenas dimensões das imagens podem afetar a nossa percepção enquanto "internautas"? Além disso, existem as já mencionadas variações de cores, leiaute e até de fontes, de acordo com a configuração do computador. Como lidar com isso: como uma virtude ou como um defeito da Internet? Em outras palavras, devemos evitar esses problemas ou adaptar as páginas a essas variações? Quanto as cores, é realmente impossível tomar partido ou evitar que elas se modifiquem de um computador para o outro, porque variam de acordo com a configuração de cada computador a qual não se tem acesso através da Rede e nem parâmetros para efetuar uma suposta calibragem. Quanto ao problema da variação da fonte exibida, ele é igualmente dependente da configuração do computador do visitante, mas especificamente, de seu browser, que pode estar configurado para exibir o texto com fontes e tamanhos diferentes do padrão (default), informações com as quais o browser é automaticamente configurado desde quando é instalado) ou o próprio padrão do browser utilizado é diferente do que foi utilizado no desenvolvimento do site. Se a página foi desenvolvida para determinadas fontes e tamanhos padrão, e o browser do usuário está utilizando valores diferentes, isto certamente modificará em parte o leiaute da página, mas como isso não pode ser evitado pelo designer, o máximo que ele pode fazer é tomar partido de recursos que garantam alguma estabilidade ao leiaute da página, como tabelas e frames de maneira que mesmo que ele se modifique, ele não seja descaracterizado totalmente, mantendo colunas, áreas de texto, alinhamento das imagens, etc. Aquela é uma das atitudes possíveis diante das variações de leiaute ocasionadas tanto por diferenças na fonte utilizada, quanto por diferenças da resolução do monitor do usuário em relação a do designer, sendo que esta última é passível de previsão, já que basta o desenvolvedor da página modificar a resolução de seu monitor para as diversas resoluções possíveis, verificar como a página irá se portar em cada uma delas, e fazer as alterações que julgar necessárias. Outra atitude possível é criar com frames ou tabelas uma área de largura, ou largura e altura fixas, que geralmente fica ao centro ou à esquerda da janela do browser, e onde o conteúdo da página propriamente dito será exibido, assim evita-se modificações no leiaute ocasionadas por mudanças na resolução do monitor, pois a largura das páginas do site será sempre fixa. Ao invés de se tentar adaptar a página a essas variações ou de tentar evitá-las ao máximo, como no último exemplo, pode-se ainda optar por não fazer nada a respeito, o que resulta num leiaute pobre, com cara de editor de texto e que não tem característica nenhuma, senão a de se modificar a cada browser em que é exibido. Entendemos que a atitude melhor diante da questão do leiaute para Web é a de buscar maneiras de se criar uma diagramação que possa se adaptar a diferentes tamanhos de tela e de fontes, o que conferiria ao site um caráter dinâmico, sem que ele fosse descaracterizado. Mas é claro que a opção por esta ou aquela solução, vai variar de site para site. Nesta parte, apresentamos e discutimos as principais limitações da Internet, a partir das quais podemos entender melhor com o que o designer se defronta ao confeccionar uma Web page. São justamente estas limitações que diferem o Web design do publish design, pois são desafios que devem ser transpostos e que dizem diretamente respeito à linguagem da Internet, já que o caminho para se definir uma linguagem própria para qualquer meio que seja, é o da exploração de suas potencialidades e o da ruptura dos limites impostos por este meio. Então, é a partir da definição destes dois aspectos que se pode analisar a linguagem desta mídia chamada Internet. Vinícius
Proença e Fabiano Brun |