As
Gerações da Web
Definição das características funcionais do site.
Gerações
são como divisores de águas de costumes, ações
e comportamentos. Assim como entre as pessoas há também
esta divisão na tecnologia e quando falamos de Web não
só estamos falando de tecnologia mas de pessoas também,
pois esta no fundo, nada mais é do que uma comunidade se comunicando
atráves de uma interface digital.
Um
detalhe que deve ser observado antes de se começar a analisar
tais gerações é que estas não estão
obrigatoriamente ligadas a uma época ou tecnologia específica,
e sim a formas distintas de desenvolvimento e compreensão do
funcionamento e comunicação de websites. Pode-se encontrar
sites sendo desenvolvidos hoje com a filosofia de qualquer uma das
quatro gerações que serão descritas a seguir.
Sites
de Primeira Geração
Estes sites
se caracterizam pela sua linearidade proporcionada por uma forma de
estruturação muito programacional. Procuram não
usar imagens ou códigos HTML mais recentes para que possam
rodar em browsers muito antigos [2.1] que não contavam com
nenhum recurso além da formatação simples de
texto. São compostos de páginas que produzem longas
rolagens verticais devido à apresentação de blocos
sucessivos de texto. Seus links buscam outras páginas com as
mesmas características. São pobres esteticamente e não
costumam ter maiores preocupações com a formatação
do texto ou sua diagramação. Permitem que o visitante
altere livremente os padrões de visualização
de seu browser interferindo no layout da página, aumentando
e diminuindo o tamanho de texto, tipo de fontes, formatos de link
e etc, a fim de melhorar a visualização dos mesmos.
Sites
de Segunda Geração
Estruturalmente
não diferem muito da primeira geração, mas já
buscam uma melhor diagramação através do uso
de tabelas, frames e códigos HTML [2.3] mais recentes. Costumam
abusar do uso de imagens prontas (clipartes) e texturas de fundo de
tela. Em geral substitui os links de texto da primeira geração
por menus com imagens. Não costumam ter Identidades Visuais
complexas por não buscarem desenvolver imagens personalizadas
para o site. Em geral têm em sua página inicial (Home-page)
todos os links para as demais páginas do site, obrigando o
visitante a retornar para esta toda vez que quiser acessar uma outra
página interna.
Sites
de Terceira Geração
Tem
como principal diferencial das gerações anteriores a
preocupação com a Identidade Visual acima das limitações
técnicas impostas pelas linguagens programacionais. Busca utilizar
princípios tipográficos e visuais de diagramação,
com soluções criativas de design para integrar o site
como um todo, a fim de facilitar a navegação e atrair
o visitante. Possuem um cuidado especial com a qualidade do conteúdo
apresentado e com o equilíbrio de todos os elementos na página,
mantendo um controle rígido do layout. São os preferidos
para o desenvolvimento de e-commerce e notícias online devido
a sua fácil manutenção via banco de dados ASP.
Sites de Quarta Geração
Apesar
de gerações de sites não se prenderem necessariamente
a uma tecnologia, é através desta que se pode hoje adotar
um novo comportamento diante do design para web com a quarta geração.
Sites de terceira geração mantinham seu conteúdo
controlado por meio de imagens e tabelas, a fim de proporcionar uma
experiência constante e completa dentro dos padrões idealizados
por um designer. Já os sites de quarta geração,
através de novas tecnologias como o DHTML e principalmente
o Flash, possibilitam que se tenha a mesma fidelidade ao layout planejado
sem que se crie uma estrutura rígida. A quarta geração
proporciona ao público a possibilidade de interferir “construtivamente”
no layout e otimizá-lo de acordo com as necessidades pessoais
de cada visitante. É a volta do controle do conteúdo
por parte deste, controle que existia nas chamadas primeira e segunda
gerações, mas que funcionavam mais “destrutivamente”,
pois deformavam estruturas rígidas proporcionadas por códigos
HTML, causando desalinhamentos e distorções volumétricas
entre os elementos na página.
Os sites de quarta geração contam com imagens e conteúdo
dinâmicos e customizáveis, além de elementos,
animações e sons interativos.
O que ocorre com a maioria dos sites atuais (de primeira, segunda
ou terceira geração) é uma quebra constante de
assuntos, devido à forma como se usa os links de âncoras
(aqueles que ligam páginas diferentes por uma palavra dentro
do texto). Hoje, se clicamos em um destes links, saltamos para uma
outra página, que por vezes, abre em cima da atual, fazendo
com que percamos o restante do conteúdo da mesma, ou nos arremessa
em uma outra janela, que se sobrepõe a atual, forçando-nos
a procurar no rodapé da área de trabalho do computador
a outra tela, caso queiramos voltar para acabar de ler a mesma. Devido
a esta forma de navegação, muitos sites, principalmente
os comerciais, que não se interessam em ver seu conteúdo
perdido, recorrem a soluções drásticas, como
não usar tais links, retornando a forma de leitura linear tão
comum aos livros e revistas e tão distantes da Internet.
Mas assim como o pensamento, a Internet não precisa ser linear.
Ninguém pensa em uma só coisa de cada vez, mesmo que
se concentre em um determinado assunto, sempre conta-se com toda a
gama de informações da sua memória, para consulta
simultânea e comparações com o pensamento corrente.
Os sites de quarta geração procuram trabalhar com a
linearidade lógica e não física, mantendo-se
coerente ao pensamento e não à conveniência de
quem o programou.
Uma das soluções possiveis nesta nova forma de navegar
é a possibilidade de haver dentro dos textos, links de âncora
que abrem janelas dentro da própria tela que se está
vendo, sem que se feche ou encubra a anterior. Estas janelas por sua
vez, têm barras de rolagem para visualização do
conteúdo, caso seja muito extenso para o campo aberto e contam
com a possibilidade de novas âncoras. Abertas, simultaneamente,
as janelas podem ter seu conteúdo comparado e consultado quando
se desejar, sem a perda de informação e de acordo com
a necessidade lógica de quem a vê. Por enquanto são
fornecidas somente algumas janelas simultâneas por vez, devido
à limitação física de espaço na
tela, mas que, de certa forma, faz com que se priorize as informações
relevantes, obrigando o internauta a descartar aquelas que já
não tem mais interesse no momento, limpando o campo visual
para o surgimento de novos campos, novas idéias.
A
quantidade de informação a se apresentar simultaneamente
na tela é outro problema constante nos sites com grande diversidade
de conteúdo. Portais e provedores costumam ter suas telas abarrotadas
de campos com texto e inúmeros links com diferentes funções
que dispersam o foco da atenção de quem os vê.
É como tentar se concentrar em uma conversa no meio da Bolsa
de Valores. Com o tempo você até consegue ignorar a interferência
exterior, mas o fazendo, se fecha para possíveis novidades
que possam aparecer.
Relevância em design é descobrir o que há de essencial
em cada produto, saber destacá-lo do mar de monotonia que existe
por aí.
Vinícius
Proença